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DETER: o que são os alertas de desmatamento do INPE e como consultar

Atualizado em · 6 min de leitura

O DETER (Detecção do Desmatamento em Tempo Real) é o sistema do INPE que emite alertas quase diários de desmatamento, degradação e outras alterações na vegetação nativa da Amazônia Legal e do Cerrado, a partir de imagens de satélite de média resolução. Foi criado para orientar a fiscalização do IBAMA e de outros órgãos. Desde 2015, mapeia alterações com área mínima próxima de 3 hectares, com imagens do sensor WFI (satélites CBERS-4, CBERS-4A e Amazonia-1) e, no início, também AWiFS. Os dados são públicos no portal TerraBrasilis, em shapefile. O INPE é explícito: o DETER não é taxa de desmatamento; a taxa oficial anual vem do PRODES. Na análise de um imóvel, o DETER funciona como sinal recente de que algo pode estar acontecendo, a ser confirmado em imagem e documentos.

Como o DETER funciona

Duas fases do sistema

DETER (MODIS) DETER atual
Período Maio de 2004 a dezembro de 2017 Desde agosto de 2015
Sensor MODIS (satélite Terra), 250 m WFI (CBERS-4, CBERS-4A, Amazonia-1) e, no início, AWiFS (IRS)
Área mínima detectável Maior que 25 ha Próxima de 3 ha
Frequência Diária Quase diária, conforme a revisita dos satélites e as nuvens

O acervo do DETER com MODIS continua disponível para consulta histórica. A mudança de sensor foi uma resposta ao novo padrão do desmatamento na Amazônia: segundo o INPE, a maior parte dos polígonos desmatados passou a ter menos de 25 hectares, abaixo do que o MODIS conseguia ver.

Como os alertas são produzidos

Os analistas do INPE fazem interpretação visual das imagens, com base em cor, tonalidade, textura, forma e contexto, apoiada no Modelo Linear de Mistura Espectral. Cada polígono recebe uma classe e a data em que foi detectado.

Na Amazônia, as classes são:

Grupo Classes
Desmatamento Desmatamento com solo exposto; desmatamento com vegetação; mineração
Degradação Degradação; cicatriz de incêndio florestal
Exploração madeireira Corte seletivo tipo 1 (desordenado); corte seletivo tipo 2 (geométrico)

No Cerrado, o INPE divulga os avisos como supressão da vegetação nativa. Os dados do DETER Cerrado no TerraBrasilis têm série a partir de 2018.

Para quem os dados vão primeiro

Segundo o INPE, os alertas são enviados diariamente ao IBAMA sem restrição de área mínima. Para o público, a página do programa informa que os polígonos são disponibilizados com dimensão mínima de 6,25 ha, o que permite comparação com o PRODES. Ao usar os dados públicos, considere que alterações muito pequenas podem não estar na base que você baixou.

Limitações que mudam a interpretação

O próprio INPE lista as limitações, e elas importam em qualquer parecer:

  • Captura parcial. O DETER registra apenas parte das alterações, por causa da resolução das imagens e da cobertura de nuvens.
  • Data de detecção não é data do desmatamento. Um alerta de março pode corresponder a um corte feito meses antes, que só ficou visível quando as nuvens saíram. O INPE recomenda distinguir o tempo de ocorrência da oportunidade de detecção.
  • Comparação entre meses é delicada. Como a cobertura de nuvens varia de um mês para outro, comparar áreas mensais (ou o mesmo mês em anos diferentes) exige cuidado.
  • Não é taxa. A área dos alertas serve para priorizar a fiscalização e indicar tendência, não como taxa mensal de desmatamento.
  • Não distingue legal de ilegal. Uma supressão autorizada pelo órgão estadual gera alerta do mesmo jeito.
  • Degradação e fogo não são corte raso. Cicatriz de incêndio e corte seletivo são alterações relevantes, mas têm consequências diferentes de um desmatamento com solo exposto.
  • Geometria aproximada. Com pixels de 56 a 64 metros, as bordas dos polígonos têm imprecisão. Sobreposições de poucos metros com o limite de um imóvel precisam ser conferidas.

DETER e PRODES: qual usar

DETER PRODES
Finalidade Alerta para fiscalização Taxa anual oficial e mapeamento anual
Frequência Quase diária Anual (período de agosto a julho)
Resolução das imagens Média (WFI, ~56 a 64 m) Maior (Landsat e similares)
Área mínima ~3 ha (mapeamento) 6,25 ha na Amazônia; 1 ha nos demais biomas
Classes Desmatamento, degradação, fogo, corte seletivo, mineração Supressão da vegetação nativa (corte raso)
Uso em compliance Sinal de atividade recente Referência para datas de corte

Em resumo: para dizer se houve desmatamento depois de uma data de corte, a referência é o PRODES; o DETER indica o que pode estar acontecendo agora, antes de o PRODES do ano ser publicado. O guia PRODES e DETER: diferenças aprofunda essa comparação.

Faça essa checagem na sua área

Desenhe ou importe o polígono (KML, shapefile, GeoJSON, GeoPackage) e gere o relatório: cada camada mostra se sobrepõe a área, se está a até 10 km ou se não há nada por perto.

Como consultar e baixar o DETER

No TerraBrasilis

  1. Acesse o portal TerraBrasilis do INPE.
  2. Para estatísticas, use os painéis de avisos do DETER (Amazônia Legal e Cerrado), com filtros por período, estado, município, classe e unidades de conservação.
  3. Para os polígonos, vá à área de downloads e baixe o DETER do bioma desejado em shapefile. Também há serviços de mapa (WMS/WFS) para consumir direto no QGIS.
  4. No QGIS, abra o shapefile, filtre pelo período e pela classe que interessam e cruze com o limite do imóvel. Veja como abrir shapefile no QGIS.

Campos que vale olhar: classe, data de detecção (view_date ou equivalente), área, município, UF e sensor/satélite.

Bases estaduais derivadas

Alguns estados republicam o DETER recortado ou complementado nos seus portais, o que pode ser mais prático para quem trabalha num estado só. No ilovegis estão, por exemplo, DETER em Goiás, alertas DETER em Rondônia e o histórico do DETER no Amazonas. Confira sempre a data de atualização desses recortes em relação à base do INPE.

No ilovegis

O ilovegis tem as camadas Alertas DETER — Amazônia, com alertas desde agosto de 2016, e Alertas DETER — Cerrado, além do PRODES Amazônia e dos demais biomas. Você pode ver os alertas no mapa, desenhar ou importar o limite do imóvel (KML, KMZ, shapefile em .zip, GeoJSON ou GeoPackage) e gerar um relatório que mostra se há alerta sobrepondo a área, se há algum a até 10 km ou se não há nada nesse raio, com classe, data de detecção e área de cada alerta. As camadas de DETER e PRODES fazem parte do plano Profissional, e no mesmo plano é possível baixá-las em shapefile, GeoPackage, GeoJSON ou KML.

O ilovegis não envia alertas automáticos nem monitora imóveis continuamente: a checagem é feita quando você gera o relatório.

Como interpretar um alerta DETER num imóvel

  1. Veja a classe. "Desmatamento com solo exposto" é diferente de "cicatriz de incêndio florestal" ou "corte seletivo".
  2. Veja a data de detecção e lembre que a data real pode ser anterior.
  3. Meça a sobreposição. Calcule a área do alerta dentro do imóvel numa projeção métrica (UTM da zona correta; veja coordenadas UTM no Brasil). Sobreposições de borda, de poucos metros, podem ser efeito da resolução.
  4. Confira em imagem. Compare imagens antes e depois da data do alerta. Imagens de maior resolução confirmam se houve corte, fogo ou outro tipo de alteração.
  5. Verifique autorização. Se houve supressão, existe autorização de supressão de vegetação (ASV) do órgão estadual? A área estava fora de APP e Reserva Legal? Veja Reserva Legal e APP.
  6. Cheque embargos. Alertas DETER frequentemente precedem autuações. Consulte embargos do IBAMA, do ICMBio e do estado; veja embargos do ICMBio e estaduais.
  7. Aguarde o PRODES, se o critério depender dele. Protocolos de compra e de crédito costumam usar o PRODES como referência. O alerta DETER antecipa o que pode aparecer no PRODES do ano seguinte.

Usos comuns do DETER na cadeia

Camadas citadas neste guia

Abra cada uma no mapa, veja os atributos e inclua no relatório da sua área.

Perguntas frequentes

O que é o DETER?

É o sistema de Detecção do Desmatamento em Tempo Real do INPE. Ele emite avisos quase diários de supressão, desmatamento e degradação da vegetação nativa, feitos a partir de imagens de satélite, para apoiar a fiscalização do IBAMA e de outros órgãos. Cobre a Amazônia Legal e o Cerrado.

Qual a área mínima de um alerta DETER?

Desde a versão lançada em 2015, com imagens de média resolução (sensores WFI e AWiFS), o DETER mapeia alterações com área mínima próxima de 3 hectares. A versão anterior, com o sensor MODIS (2004 a 2017), só detectava áreas maiores que 25 hectares.

DETER mede a taxa de desmatamento?

Não. O INPE afirma que o DETER é um sistema de alerta para priorizar a fiscalização e que a área dos alertas não deve ser lida como taxa mensal de desmatamento. A taxa oficial anual é dada pelo PRODES.

Um alerta DETER no meu imóvel significa que houve desmatamento ilegal?

Não necessariamente. O DETER não distingue supressão autorizada de não autorizada, pode registrar degradação e cicatriz de incêndio, e tem limitações de resolução e de nuvens. O alerta é um sinal para verificar a área em imagem e em documentos, não uma conclusão.

Onde baixar os dados do DETER?

No portal TerraBrasilis, do INPE, que oferece download em shapefile e serviços de mapa, além de painéis com estatísticas. Os dados são licenciados em Creative Commons Atribuição-CompartilhaIgual.

Fontes

  1. INPE/OBT: DETER (descrição oficial, sensores, classes e limitações)
  2. INPE: TerraBrasilis, área de downloads
  3. INPE: dados do DETER referentes a junho de 2026 (notícia oficial)
  4. Artigo de metodologia e validação do DETER (IEEE JSTARS, 2015)

Fontes consultadas até 8 de outubro de 2026. Normas e sistemas oficiais mudam: confira a versão vigente antes de decidir. Encontrou algo desatualizado? Escreva para contato@ilovegis.com.br.

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Veja as camadas oficiais sobre a sua região, desenhe ou importe a área do imóvel e gere o relatório GIS.