Guia · Desmatamento
DETER: o que são os alertas de desmatamento do INPE e como consultar
O DETER (Detecção do Desmatamento em Tempo Real) é o sistema do INPE que emite alertas quase diários de desmatamento, degradação e outras alterações na vegetação nativa da Amazônia Legal e do Cerrado, a partir de imagens de satélite de média resolução. Foi criado para orientar a fiscalização do IBAMA e de outros órgãos. Desde 2015, mapeia alterações com área mínima próxima de 3 hectares, com imagens do sensor WFI (satélites CBERS-4, CBERS-4A e Amazonia-1) e, no início, também AWiFS. Os dados são públicos no portal TerraBrasilis, em shapefile. O INPE é explícito: o DETER não é taxa de desmatamento; a taxa oficial anual vem do PRODES. Na análise de um imóvel, o DETER funciona como sinal recente de que algo pode estar acontecendo, a ser confirmado em imagem e documentos.
Como o DETER funciona
Duas fases do sistema
| DETER (MODIS) | DETER atual | |
|---|---|---|
| Período | Maio de 2004 a dezembro de 2017 | Desde agosto de 2015 |
| Sensor | MODIS (satélite Terra), 250 m | WFI (CBERS-4, CBERS-4A, Amazonia-1) e, no início, AWiFS (IRS) |
| Área mínima detectável | Maior que 25 ha | Próxima de 3 ha |
| Frequência | Diária | Quase diária, conforme a revisita dos satélites e as nuvens |
O acervo do DETER com MODIS continua disponível para consulta histórica. A mudança de sensor foi uma resposta ao novo padrão do desmatamento na Amazônia: segundo o INPE, a maior parte dos polígonos desmatados passou a ter menos de 25 hectares, abaixo do que o MODIS conseguia ver.
Como os alertas são produzidos
Os analistas do INPE fazem interpretação visual das imagens, com base em cor, tonalidade, textura, forma e contexto, apoiada no Modelo Linear de Mistura Espectral. Cada polígono recebe uma classe e a data em que foi detectado.
Na Amazônia, as classes são:
| Grupo | Classes |
|---|---|
| Desmatamento | Desmatamento com solo exposto; desmatamento com vegetação; mineração |
| Degradação | Degradação; cicatriz de incêndio florestal |
| Exploração madeireira | Corte seletivo tipo 1 (desordenado); corte seletivo tipo 2 (geométrico) |
No Cerrado, o INPE divulga os avisos como supressão da vegetação nativa. Os dados do DETER Cerrado no TerraBrasilis têm série a partir de 2018.
Para quem os dados vão primeiro
Segundo o INPE, os alertas são enviados diariamente ao IBAMA sem restrição de área mínima. Para o público, a página do programa informa que os polígonos são disponibilizados com dimensão mínima de 6,25 ha, o que permite comparação com o PRODES. Ao usar os dados públicos, considere que alterações muito pequenas podem não estar na base que você baixou.
Limitações que mudam a interpretação
O próprio INPE lista as limitações, e elas importam em qualquer parecer:
- Captura parcial. O DETER registra apenas parte das alterações, por causa da resolução das imagens e da cobertura de nuvens.
- Data de detecção não é data do desmatamento. Um alerta de março pode corresponder a um corte feito meses antes, que só ficou visível quando as nuvens saíram. O INPE recomenda distinguir o tempo de ocorrência da oportunidade de detecção.
- Comparação entre meses é delicada. Como a cobertura de nuvens varia de um mês para outro, comparar áreas mensais (ou o mesmo mês em anos diferentes) exige cuidado.
- Não é taxa. A área dos alertas serve para priorizar a fiscalização e indicar tendência, não como taxa mensal de desmatamento.
- Não distingue legal de ilegal. Uma supressão autorizada pelo órgão estadual gera alerta do mesmo jeito.
- Degradação e fogo não são corte raso. Cicatriz de incêndio e corte seletivo são alterações relevantes, mas têm consequências diferentes de um desmatamento com solo exposto.
- Geometria aproximada. Com pixels de 56 a 64 metros, as bordas dos polígonos têm imprecisão. Sobreposições de poucos metros com o limite de um imóvel precisam ser conferidas.
DETER e PRODES: qual usar
| DETER | PRODES | |
|---|---|---|
| Finalidade | Alerta para fiscalização | Taxa anual oficial e mapeamento anual |
| Frequência | Quase diária | Anual (período de agosto a julho) |
| Resolução das imagens | Média (WFI, ~56 a 64 m) | Maior (Landsat e similares) |
| Área mínima | ~3 ha (mapeamento) | 6,25 ha na Amazônia; 1 ha nos demais biomas |
| Classes | Desmatamento, degradação, fogo, corte seletivo, mineração | Supressão da vegetação nativa (corte raso) |
| Uso em compliance | Sinal de atividade recente | Referência para datas de corte |
Em resumo: para dizer se houve desmatamento depois de uma data de corte, a referência é o PRODES; o DETER indica o que pode estar acontecendo agora, antes de o PRODES do ano ser publicado. O guia PRODES e DETER: diferenças aprofunda essa comparação.
Faça essa checagem na sua área
Desenhe ou importe o polígono (KML, shapefile, GeoJSON, GeoPackage) e gere o relatório: cada camada mostra se sobrepõe a área, se está a até 10 km ou se não há nada por perto.
Como consultar e baixar o DETER
No TerraBrasilis
- Acesse o portal TerraBrasilis do INPE.
- Para estatísticas, use os painéis de avisos do DETER (Amazônia Legal e Cerrado), com filtros por período, estado, município, classe e unidades de conservação.
- Para os polígonos, vá à área de downloads e baixe o DETER do bioma desejado em shapefile. Também há serviços de mapa (WMS/WFS) para consumir direto no QGIS.
- No QGIS, abra o shapefile, filtre pelo período e pela classe que interessam e cruze com o limite do imóvel. Veja como abrir shapefile no QGIS.
Campos que vale olhar: classe, data de detecção (view_date ou equivalente), área, município, UF e sensor/satélite.
Bases estaduais derivadas
Alguns estados republicam o DETER recortado ou complementado nos seus portais, o que pode ser mais prático para quem trabalha num estado só. No ilovegis estão, por exemplo, DETER em Goiás, alertas DETER em Rondônia e o histórico do DETER no Amazonas. Confira sempre a data de atualização desses recortes em relação à base do INPE.
No ilovegis
O ilovegis tem as camadas Alertas DETER — Amazônia, com alertas desde agosto de 2016, e Alertas DETER — Cerrado, além do PRODES Amazônia e dos demais biomas. Você pode ver os alertas no mapa, desenhar ou importar o limite do imóvel (KML, KMZ, shapefile em .zip, GeoJSON ou GeoPackage) e gerar um relatório que mostra se há alerta sobrepondo a área, se há algum a até 10 km ou se não há nada nesse raio, com classe, data de detecção e área de cada alerta. As camadas de DETER e PRODES fazem parte do plano Profissional, e no mesmo plano é possível baixá-las em shapefile, GeoPackage, GeoJSON ou KML.
O ilovegis não envia alertas automáticos nem monitora imóveis continuamente: a checagem é feita quando você gera o relatório.
Como interpretar um alerta DETER num imóvel
- Veja a classe. "Desmatamento com solo exposto" é diferente de "cicatriz de incêndio florestal" ou "corte seletivo".
- Veja a data de detecção e lembre que a data real pode ser anterior.
- Meça a sobreposição. Calcule a área do alerta dentro do imóvel numa projeção métrica (UTM da zona correta; veja coordenadas UTM no Brasil). Sobreposições de borda, de poucos metros, podem ser efeito da resolução.
- Confira em imagem. Compare imagens antes e depois da data do alerta. Imagens de maior resolução confirmam se houve corte, fogo ou outro tipo de alteração.
- Verifique autorização. Se houve supressão, existe autorização de supressão de vegetação (ASV) do órgão estadual? A área estava fora de APP e Reserva Legal? Veja Reserva Legal e APP.
- Cheque embargos. Alertas DETER frequentemente precedem autuações. Consulte embargos do IBAMA, do ICMBio e do estado; veja embargos do ICMBio e estaduais.
- Aguarde o PRODES, se o critério depender dele. Protocolos de compra e de crédito costumam usar o PRODES como referência. O alerta DETER antecipa o que pode aparecer no PRODES do ano seguinte.
Usos comuns do DETER na cadeia
- Crédito rural e due diligence: sinal de atividade recente que pede verificação antes da contratação (crédito rural e restrições socioambientais).
- Compra de grãos e gado: protocolos podem usar alertas como gatilho de análise, mesmo quando o bloqueio é decidido pelo PRODES (Moratória da Soja e critérios de compra de gado).
- Laudos: o DETER entra como camada complementar, com a ressalva de que não é taxa nem prova de ilegalidade (laudo de análise socioambiental).